PASTORAL FÉ E POLÍTICA

Arquidiocese de São Paulo

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Profeta

Primeiramente eu gostaria de pedir a todos os ouvintes que peçam pela Balbina em suas orações. Ela teve que se ausentar para fazer um tratamento de saúde e enquanto ela se recupera me pediu que continue o programa pela Pastoral Fé e Política. E para falar de Fé e Política, alguns livros da Bíblia que nos orientam a uma visão, a um agir nesse contexto são os livros proféticos.

Quando falamos em profetas, muitas pessoas rapidamente os comparam com adivinhadores do futuro. Mas uma leitura atenta da Bíblia nos fará perceber que a atividade dos profetas é muito mais analisar a situação presente e daí vislumbrar os acontecimentos vindouros, que é justamente o que cientistas políticos, economistas, dentre outros, o fazem hoje.

isaiasNossos profetas poderiam então ser comparados a tais cientistas? Não! Porque sua atuação vai além dessa análise da realidade. Os profetas têm a missão de denunciar todo o sistema político, econômico e religioso que contradiz à vontade de Deus. Esse Deus, que mais tarde Jesus anunciaria ser um Deus de "vida em abundância para todos" (Jo 10,10), que tirou seu povo da casa da escravidão (Dt 5,6), havia sido abandonado e deturpado pelos detentores do poder. Na Bíblia fica muito claro o tempo e o local dos profetas. Eles aparecem quando surge a monarquia e atuarão até o exílio. Seu anúncio é de conversão para mudar o sistema social; e de esperança para encorajar o povo, que já tinha perdido sua terra e corria o risco de perder sua identidade. Ora caríssimos irmãos, caríssimas irmãs, pelo Batismo nós leigos e leigas somos incorporados à tríplice missão de Cristo: de sermos sacerdote, profeta e rei. Vamos nos deter, por ora, à missão de profeta: todo batizado possui essa missão, de ser profeta, de denunciar o sistema, mas também de propor caminhos novos de conversão, afinal a denúncia sem uma proposta ficará vazia.

No ano passado, durante o Congresso de Leigos, quantas informações nos foram passadas e compartilhadas sobre a missão do leigo na Igreja. E ao mesmo tempo que nos alegramos porque foi dado um passo para que essa missão se concretize, vimos que muito ainda precisa ser feito. A Igreja nos convida a cumprirmos nosso papel de cidadãos cristãos em meio à sociedade. Alguns encontros já foram marcados com os candidatos aos Conselhos Tutelares das sub-prefeituras; no último sábado houve inclusive um encontro que contou com a presença de Dom Milton, que é o bispo responsável pelas pastorais sociais, de representantes da sociedade e das forças militares, das pastorais sociais e dos pré-Candidatos. Que Deus seja louvado por essa belíssima ação da Igreja. Mas quantas vezes ainda temos que testemunhar atitudes que não compartilham dessa visão democrática dentro da própria Igreja? Quantos leigos e leigas que nem souberam o que foi o Congresso de Leigos porque seu pároco se ausentou desse processo?

E aí, meus irmãos e minhas irmãs, está a parte mais difícil de ser profeta, ou seja, de denunciar o que está enraizado em nossos corações no que diz respeito à nossa fé. Amós não teve medo de denunciar os sacerdotes corruptos que praticavam uma religião vazia. Assim também o fizeram Oséias, Isaías, Miquéias: denunciaram o falso culto e a ganância.

Tomemos de Jesus a lição de sermos pacíficos, para que nossas denúncias não sejam vazias nem causadoras de morte, mas sementes de uma sociedade, de uma Igreja melhor. Esperamos de nossos pastores, o exemplo do Bom Pastor, que conhece cada uma de suas ovelhas e que dá a vida por elas. Que nos entendam em nossas limitações, mas que saibam que temos o direito de saber a razão de suas atitudes e de sermos ouvidos. Destaco aqui a sabedoria do nosso pontífice, o papa Bento XVI, que no livro Luz do Mundo discursa sobre a infalibilidade do papa, onde encontramos esse ensinamento: "O Papa pode tomar decisões vinculadoras através das quais fica claro o que é ou não fé. Isto não quer dizer que tudo o diz que é infalível".


 

FONTE: O artigo de Marília Amaral nos foi enviado diretamente pela autora, tendo sido primeiramente veiculado pela Rádio 9 de Julho no dia 20 de junho de 2011. Sua reprodução é autorizada pela Rádio 9 de Julho.

 

 

 

Marília Amaral

Marília Amaral
Marília Amaral é integrante da Pastoral Fé e Política da Arquidiocese de São Paulo e também apresenta comentários sobre Fé e Política na Rádio 9 de Julho (AM 1.600 KHz/SP). Para falar com Marília Amaral utilize nosso formulário de contato.