PASTORAL FÉ E POLÍTICA

Arquidiocese de São Paulo

ptarzh-CNenfrdehiitjarues

Temos 208 visitantes e Nenhum membro online

Mobilização das Novas Gerações: Sinais dos Tempos?

Jesus, diante de uma das muitas armadilhas dos seus inimigos, advertiu que é necessário perceber “os sinais dos tempos” para entender o momento das mudanças estruturais (Mt 6, 1-5 e Mc 13, 28-29) . Da mesma forma, ao sair do Templo, adverte seus discípulos de que aquela bela construção será arrasada e “não ficará pedra sobre pedra” (Mt 24, 1-2 e Lc 19, 41-44). Ao profetizar sobre a devastação do Templo, Jesus não estava falando apenas de uma edificação.

Ele se referia também ao sistema político, econômico e religioso de seu tempo, mostrando que estava chegando ao seu fim. Por isso, sua Boa-Nova deveria ser levada ao mundo todo, fermentando a construção de uma nova sociedade sem dominação e sem exploração, sociedade que deveria ser edificada sobre os pilares da justiça, da solidariedade e do verdadeiro amor, aquele amor que é capaz de dar a própria vida em favor da vida do irmão.

Assim, cabe-nos discernir, entender “os sinais dos tempos” que a História está nos revelando. “Se eles (os discípulos) calarem, as pedras falarão” (Lc 19, 40).

Esse pode ser o grande recado que as gerações jovens estão nos ministrando, dizendo que já não aceitam mais um Estado e uma sociedade deteriorados, geradores da mais criminosa exclusão social, da miséria crescente, do rebaixamento progressivo do padrão de vida da população, enfim, um Estado e uma sociedade profundamente injustos. Serão eles, os jovens, as “pedras que falarão” em nosso lugar?

Os tempos indicam que o sistema todo, no mundo todo, está se esgotando porque espalha a miséria, o terror e a morte por todos os continentes. Mesmo sem que a maioria dessa juventude tenha consciência plena da realidade política, há, porém, a percepção da podridão total das instituições e dos políticos em geral. Diante desse quadro positivo, a questão que deveria preocupar todos os cristãos e amantes da justiça é de como colaborar para o crescimento da consciência crítica desta geração, de tal forma que contribua eficazmente para a progressiva construção de um projeto alternativo de sociedade, que venha a ser, de fato, comprometido com a vida humana em plenitude para todos, e não mais para apenas alguns.

 

Fonte: Artigo publicado originalmente no Jornal O São Paulo (Coluna da Pastoral Operária) e reproduzido aqui com autorização do autor.

Waldemar Rossi

Waldemar Rossi foi coordenador da Pastoral Operária da Arquidiocese de São Paulo, membro da Pastoral Fé e Política da Região Episcopal Belém (ASP) e metalúrgico. Também trabalhou no campo como "boia-fria" e na construção civil. Atuando desde sua juventude nos movimentos pastorais católicos, já em 1960 foi coordenador da Juventude Operária Católica (JOC/Sul). Fez parte da Comissão de Justiça e Paz, atuou como sindicalista, foi Administrador Regional (Adm. Erundina/Mooca)e assessor parlamentar. Waldemar Rossi faleceu no dia 4 de maio de 2016, aos 83 anos.