PASTORAL FÉ E POLÍTICA

Arquidiocese de São Paulo

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2016 – Alguns aspectos trabalhados pela Pastoral Fé e Política

Neste momento não é possível falar sobre a caminhada de 2016 sem nos reportar à despedida que a vida nos apresentou. Dia 14 próximo passado, falece Dom Paulo Evaristo Arns. Dom Paulo, sempre atento ao momento da história, foi o pastor que convocou o primeiro grupo de fé e política na arquidiocese. Relendo seus escritos encontramos, ainda hoje, os fundamentos e a inspiração para a ação de uma Pastoral Fé e Política

Sobre a opção pelos pobres escreveu Dom Paulo: “Como cristãos, não podemos passar indiferentes diante da exploração dos fracos, do sofrimento dos anciãos, da especulação imobiliária, da exploração comercial do sexo, do tráfico de drogas e, afinal, da ameaça à vida familiar”.

Sobre a política, Dom Paulo nos ensinou: “Sem política no sentido amplo e nobre do termo não haverá boa convivência humana, nem realização de vida comunitária cristã”.

Sobre a formação da consciência para a ação: “Os cristãos se comprometem não apenas a estimular – como lembra Puebla – mas também a ser agentes de uma conscientização geral e de uma responsabilidade comum frente a um desafio que exige a participação de todos”.

Em 2016, ano de eleições municipais, conforme previsto em seu objetivo geral, a pastoral, sempre fazendo política no sentido amplo e nobre do termo como nos ensina Dom Paulo, organizou e assessorou grupos de reflexão e ação sobre a lisura do processo eleitoral.

Em parceria com o Movimento de Combate á Corrupção Eleitoral, Ministério Público, Tribunal de Contas do Estado, OAB/SP, enfatizou o combate e a possibilidade de denuncia de casos de compra de voto, a necessária fiscalização contra a apresentação de candidatos já condenados em segunda instância e por isso inelegíveis pela lei da Ficha Limpa e o combate e denúncia de casos de utilização do Caixa 2 no processo eleitoral.

Também analisou com as comunidades a função do prefeito e do vereador tendo em vista as reivindicações das comunidades e a consequente elaboração do Plano de Metas da cidade de São Paulo. Após as eleições, elaborou, com mais de 60 entidades, manifesto entregue ao prefeito eleito, contendo exigências a serem fiscalizadas pelas entidades e contempladas pelo Plano de Metas a ser entregue pelo prefeito e discutido com a população em audiências públicas, a partir de abril de 2017.

Junto às comunidades a pastoral insistiu: o dia da votação não é o dia em que se encerra a atuação política do cristão: é a partir daí que as comunidades e os cristãos, em nome de sua fé, continuam a intervir no processo político de modo a testemunhar que verdadeiramente são discípulos do mestre que veio para que todos tenham vida em plenitude.

Refletir sobre o processo eleitoral é nos perguntar que Brasil queremos e que Brasil estamos construindo.

Esta também foi a preocupação da Escola de Fé e Política Waldemar Rossi que durante o ano todo preparou alunos e alunas para atuar na cidade. Os temas dos trabalhos de conclusão do curso revelam a preocupação em entender a realidade dos bairros e das subprefeituras à luz do Evangelho e da presença e força do poder do dinheiro, destruidor de relações que sejam éticas e que favoreçam a vida plena.

Neste mesmo sentido, desde 2015, junto com entidades parceiras, a pastoral Fé e Política se posicionou e pressionou políticos para que votassem contra o financiamento de campanhas e de políticos pelas empresas.

Outras parcerias aconteceram: a pedido do Centro de Apoio ao Imigrante, a pastoral refletiu junto com lideranças imigrantes sobre as possibilidades do exercício da cidadania ativa à luz da Palavra de Deus.

A experiência da Escola de Fé e Política Waldemar Rossi foi levada para outras dioceses e neste ano de 2016 com a colaboração da pastoral já está em pleno funcionamento a Escola de Fé e Política Dom Amaury Castanho, da diocese de Jundiaí.

Em seminário com a Coordenação para o Serviço da Caridade, Justiça e Paz, reunindo as pastorais sociais, fizemos análise crítica sobre a atuação na cidade, verificando possibilidades e desafios e elaborando carta compromisso para os candidatos.

Também foi elaborado folheto de esclarecimentos sobre o ajuste fiscal, ou PEC 241, ou PEC 55, ou PEC da Morte, como ficou conhecida, devido às consequências sobre as despesas primárias: teto para despesas com educação, saúde, assistência social, programas sociais, de infraestrutura, salários, sem considerar a demanda e direitos conquistados, ferindo assim os direitos humanos.

Em intervenções semanais na Rádio 9 de julho, a pastoral refletiu com os ouvintes sobre saneamento básico, tema da CF 2016 e sobre os acontecimentos políticos que terminaram por substituir uma presidenta eleita pelo povo por um presidente ilegítimo e que se perpetua no poder para institucionalizar práticas econômicas com grande prejuízo para a nação.

Política se faz em rede, organizando e apoiando grupos, ações e mobilizações que favoreçam o crescimento da cidadania ativa em prol do bem comum.

O atual momento político econômico mais do que nunca exige da Igreja Católica, leigos, leigas e hierarquia, ações conjuntas e solidárias com outras igrejas e entidades parceiras a favor e em conjunto com aqueles que mais estarão prejudicados com as reformas fiscal, trabalhista e da previdência.

Caci Amaral

Caci Amaral
Carmem Cecília de Souza Amaral é coordenadora da Pastoral Fé e Política da Arquidiocese de São Paulo, sendo também integrante da Rede Nossa São Paulo e do Movimento de Combate a Corrupção Eleitoral (MCCE/SP). Para falar com Caci Amaral, utilize nosso formulário de contato.