PASTORAL FÉ E POLÍTICA

Arquidiocese de São Paulo

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As Meninas da Vila Mariana

Os jornais vão relatando os acontecimentos e a realidade aos poucos vai sendo desvelada. As meninas responsáveis por furtos em lojas, numa das ruas da Vila Mariana, são conhecidas dos lojistas, dos transeuntes, da polícia e do conselho tutelar local há mais de um ano e meio. Estão na rua há mais de um ano, na mesma região, começaram esmolando, e nada, absolutamente nada, foi feito para oferecer segurança, educação saúde, lazer, carinho para essas meninas.

O noticiário continua explorando o aspecto policial do caso: inclusive, alguns jornais televisivos mostram um lojista se armando com barra de ferro, de maneira criminosa, ilegal, sem que a polícia tome alguma atitude e sem que o próprio repórter faça restrição a essa forma de agir, caracterizando, assim, a atuação deste lojista como absolutamente dentro da normalidade. 

vila-marianaAs meninas, vítimas da cidade excludente e da pobreza, exclusão e pobreza que fazemos questão de ignorar, são novamente vitimizadas, agora pela ação da polícia militar.

Levadas ao Conselho Tutelar para que esperem por suas mães, moradoras em bairro da Cidade Tiradentes, zona leste da cidade, são mais uma vez violentadas, pois assistem à prisão das mesmas, em ação policial truculenta. As mães, localizadas e trazidas até o Conselho Tutelar para encontrarem com suas filhas, são imediatamente presas, acusadas de abandono de menor.

A situação toda está a exigir ação imediata do Ministério Público, instituição pública encarregada pela constituição federal da proteção e defesa dos direitos dos cidadãos.

É preciso cobrar da prefeitura uma indenização moral e material pelas afrontas aos direitos que estão sofrendo estas meninas. Estas meninas não receberam do Estado, no caso específico a prefeitura, a devida atenção em relação à educação, não iam á escola e os órgãos de proteção à infância não tomaram conhecimento do fato, provavelmente dormiam na rua – e o serviço público de assistência social com isso?

Poderiam ser atacadas, violentadas, quem está se incomodando? Quem deveria estar zelando pela segurança dessas crianças? Dom Luciano Mendes de Almeida, na sua divina sabedoria afirmava: a criança não é o problema, mas a solução, exigindo da sociedade conversão do coração.

A senhora Secretária da Secretaria Municipal de Assistência Social, senhora Alda Marco Antonio, o senhor prefeito Gilberto Kassab, o Sr. Comandante da Polícia Militar devem uma explicação clara e imediata para toda esta sequencia de violações de direitos, a que foram e estão sendo submetidas as meninas e suas mães.

A prefeitura deve, também, reparação moral e financeira para que estas famílias possam se estruturar e acompanhar, de forma condizente, a recuperação física e psíquica de suas filhas.

margaridas-01Hoje, em Brasília, milhares de mulheres trabalhadoras rurais, vindas de diferentes regiões do país estão reunidas para a marcha das margaridas, manifestação que acontece de quatro e quatro anos, em busca de justiça e concretização de direitos para as mulheres camponesas.

O nome da mobilização: Marcha das Margaridas é uma homenagem a Margarida Maria Alves, brutalmente assinada em frente do marido e do filho, no dia 12 de agosto de 1983. Camponesa, Margarida presidia o sindicato rural e movia ações trabalhistas contra usineiros da região do brejo paraibano.

Na cidade de São Paulo, precisamos de mulheres dispostas a lutar e a se levantar contra a violação dos direitos, da dignidade e dos sonhos de suas filhas.


FONTE: Artigo escrito por Carmen Cecília de Souza Amaral especialmente para o Programa Eleições em Notícias do dia 17/08/2011 (Rádio 9 de Julho AM 1.600 KHz - São Paulo/SP). O mesmo nos foi enviado diretamente pela autora e sua reprodução é autorizada pela Rádio 9 de Julho.

Caci Amaral

Caci Amaral
Carmem Cecília de Souza Amaral é coordenadora da Pastoral Fé e Política da Arquidiocese de São Paulo, sendo também integrante da Rede Nossa São Paulo e do Movimento de Combate a Corrupção Eleitoral (MCCE/SP). Para falar com Caci Amaral, utilize nosso formulário de contato.