PASTORAL FÉ E POLÍTICA

Arquidiocese de São Paulo

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Dignidade Feminina: Participação e Liderança

Dia 08, terça–feira de carnaval, comemoramos o Dia Internacional da Mulher. Data histórica, o Dia Internacional da Mulher completou 100 anos em 2010 e marca o esforço de mulheres e homens na luta pela igualdade de direitos entre os gêneros. Em 1975, a organização das Nações Unidas reconhece oficialmente o dia 08 de março como o Dia internacional da mulher e anuncia a década da mulher, de 1976 à 1985.

fabrica-01Sexo feminino ou sexo masculino se refere à características biológicas, com todas as influências no psiquismo, no espírito e na vontade. Falar de gênero ou de relação de gênero significa falar da relação entre homens e mulheres. Significa estudar e analisar a construção dessa relação, feita por meio dos costumes, da cultura, da política, relação marcada por séculos de domínio dos homens e pela profunda desigualdade de direitos entre homens e mulheres.

A relação de gênero marca e estrutura as sociedades e por sua vez, o modo de pensar e agir da sociedade, isto é, a cultura em que vivemos, determina papéis e direitos diferentes e desiguais para homens e mulheres. Na família patriarcal, família que reserva à figura do pai o papel de mandatário, modelo que ainda sobrevive nos dias de hoje, cabe ao homem trazer o dinheiro para o sustento e à mulher o cuidado da casa e dos filhos. Hoje, ainda, pesquisas indicam que cabe às mulheres, mesmo tendo assumido parte das despesas domésticas com seu trabalho fora de casa, o cuidado com os filhos e o lar, obrigando as a realizar dupla jornada de trabalho.

Faltam equipamentos públicos de apoio ao trabalho da mulher. Por exemplo, na cidade de São Paulo, apenas catorze por cento das crianças de seis meses a três anos estão nas creches. A propaganda, o consumo e a televisão induzem nova maneira de encarar a mulher, o homem e o relacionamento entre ambos, favorecendo comportamentos que nem sempre promovem a dignidade feminina e a igualdade de direitos entre homens e mulheres.

cf-1990-01Em 1990, a Igreja lançou uma Campanha da Fraternidade com o tema "Mulheres e Homens – Imagem de Deus". Diz o texto base da CF-1990:

A libertação da mulher não é uma teoria acadêmica, nem um processo de libertação pessoal. É necessária a superação de um sistema que praticamente exclui o feminino, em direção a um novo tipo de sociedade, onde o feminino e o masculino geram uma nova convivência de igualdade e solidariedade, onde não existe mais discriminação”.

Aqui no Brasil, progredimos na melhora da qualidade da relação de gênero. Leis que promovem e protegem a vida e a dignidade feminina estão em vigor e outras em discussão no congresso. Entretanto, continuamos uma sociedade violenta onde o homem se acha no direito de ofender, bater ou matar a mulher que não age segundo seus desejos. Em recente reportagem, o jornal Folha de São Paulo denunciou a violência no atendimento às mulheres em trabalho de parto, nos hospitais públicos e privados.

Se analisarmos estatísticas que revelam a situação das mulheres, dando especial atenção à questão da cor da pele, veremos uma realidade de violência ainda mais gritante. Mulheres negras são discriminadas no atendimento à saúde. No emprego, ganham em média, menos que as mulheres brancas, ocupando cargos de menor qualificação. Hoje, no mundo, é insignificante o número de mulheres que ocupam a chefia de governo e ,em apenas catorze países, a porcentagem de mulheres que são congressistas chega aos trinta por cento do total de membros do parlamento.

paulista-01As mulheres são mais da metade da população do Brasil e estão muito pouco representadas nas câmaras de vereadores, assembléias estaduais e no congresso. Desde 2009, há uma lei que obriga aos partidos reservar um percentual de vagas para mulheres nos partidos políticos. Entretanto, pouco ainda fazem os partidos para a promoção política das mulheres e nas eleições de 2010, alegaram não conseguir cumprir a cota exigida por lei.

Para análise detalhada e extensiva da situação da mulher no Brasil, foi estabelecido em lei que o governo federal é responsável pela elaboração do Relatório Anual Socioeconômico da Mulher. O objetivo deste relatório é centralizar, em único documento, informações relativas às condições de vida das mulheres brasileiras, permitindo a adequação de políticas públicas. Nossas paróquias, tendo em vista a desigualdade da participação feminina na política, exerceriam significativo papel de transformação da realidade ao favorecer a formação de lideranças femininas para atuarem no mundo da política.

Amanhã, dia três de março, às 19 horas, em homenagem ao dia internacional da Mulher a da Casa da Solidariedade apresentará palestra de Amelinha Telles, da União de Mulheres, sobre os “Novos Direitos da Mulher”. A casa da solidariedade fica na Rua Gravi, 60, Praça da Árvore (Saúde).


FONTE: Artigo escrito por Carmen Cecília de Souza Amaral especialmente para o Programa Eleições em Notícias do dia 02/03/2011 (Rádio 9 de Julho AM 1.600 KHz - São Paulo/SP). O Artigo de Caci Amaral nos foi enviado diretamente pela autora e sua reprodução é autorizada pela Rádio 9 de Julho.

Caci Amaral

Caci Amaral
Carmem Cecília de Souza Amaral é coordenadora da Pastoral Fé e Política da Arquidiocese de São Paulo, sendo também integrante da Rede Nossa São Paulo e do Movimento de Combate a Corrupção Eleitoral (MCCE/SP). Para falar com Caci Amaral, utilize nosso formulário de contato.