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Educação ou Depósito de Alunos?

A presidente Dilma se comprometeu a erradicar a miséria do país até 2014, final de seu mandato. Isto significa retirar da extrema pobreza trinta milhões de brasileiros.

miseria-01Será preciso distribuir riqueza por meio de programas de assistência social, pela manutenção do poder aquisitivo do salário mínimo, pela rápida multiplicação de empregos, pelo acesso extremamente facilitado à escola de qualidade e às instituições de cultura, pela redução da carga tributária que pesa sobre os pobres. No Congresso acontecem debates sobre o valor do salário mínimo.

O governo de São Paulo propôs valor de seiscentos reais, seiscentos e dez e seiscentos e vinte, para pagamento a partir de maio, com maior aumento percentual para o mínimo de menor valor, favorecendo trabalhadores domésticos e do setor de limpeza. Em relação a criação de empregos é preciso intensa mobilização a favor da redução da jornada semanal de trabalho, sem redução de salário.

Esta redução acarretará mudança estrutural gerando, em pouco tempo, aproximadamente dois milhões de novos postos de trabalho.

Já fizemos isso por ocasião da promulgação da constituição federal, quando a jornada, então de 48 horas, passou para as atuais 44 horas semanais. Na era da informática, suportamos uma carga horária de trabalho do século vinte, isso sem considerar constantes violações de direitos trabalhistas e a prática de trabalho escravo.

Dados do Instituto de pesquisa econômica aplicada, IPEA, mostram que o peso de tributos indiretos é significativamente maior para os mais pobres. Neste aspecto dependemos de reforma tributária que distribua riqueza, cobrando mais de quem tem maior poder econômico.

Mas agora vamos falar de escola.

professor-02A instituição só poderá ser chamada de escola se fornecer ensino de qualidade. Escola depósito de alunos, sem condições materiais e humanas para o processo de aprendizagem, com função de distribuição de lanche e de leite não pode mais ser considerada escola. A qualidade do aprendizado e da formação de cada uma das crianças brasileiras está nas mãos das famílias e comunidades.

As escolas do bairro poderão ser o objetivo especial da atenção das comunidades católicas, preocupadas com o ensino religioso e com as condições gerais de atendimento aos alunos. Quais as escolas municipais e estaduais do bairro? Uma comissão, em nome da paróquia, já visitou estas escolas oferecendo ajuda?

Quase noventa por cento das crianças em idade escolar estão na escola, mas o ensino não está universalizado. Dizemos que o ensino estará universalizado quando pelo menos noventa e cinco por cento das crianças que entram na escola terminam o ensino fundamental e médio, com aprendizado adequado. Hoje as estatísticas mostram uma realidade muito diferente do que seria o desejável. Mais grave ainda é que o atendimento em creches, para crianças de zero a três anos permanece, no país, em catorze por cento da necessidade.

Educação será instrumento der erradicação da miséria se cada comunidade assumir as escolas do bairro, se cada família participar da escola dos filhos, exercendo direito previsto na constituição.

Dos governos, todos eles, federal, estadual, municipal, poder executivo, legislativo judiciário e ministério público, as comunidades devem exigir o pleno cumprimento dos deveres constitucionais sabendo que hoje, no Brasil, só haverá educação de qualidade quando:

* Pelo menos sete por cento da riqueza do país for aplicada no sistema educacional, quando houver gestão eficiente desta verba e contínuo combate à corrupção que a desvia para bolsos particulares.

* Valorização do trabalho do professor, com aumento de salário, plano de carreira e apoio para formação.

* Creches para todas as crianças cujas famílias solicitarem e educação infantil universalizada, isto é, a cada ano, noventa e cinco por cento das crianças de cinco anos com o ensino infantil concluído.

O congresso nacional, isto é os senadores e deputados federais, discutem o novo plano nacional de educação, que deve vigorar de 2011 ate 2020. Mobilize sua comunidade a favor dos alunos, diretores, professores e funcionários das escolas do bairro. Sustente a esperança em dias melhores e vida digna para todos. Esta é a esperança do povo pobre e deve ser a esperança da comunidade católica.
 

FONTE: Artigo escrito por Carmen Cecília de Souza Amaral especialmente para o Programa Eleições em Notícias do dia 16/02/2011 (Rádio 9 de Julho AM 1.600 KHz - São Paulo/SP). O Artigo de Caci Amaral nos foi enviado diretamente pela autora e sua reprodução é autorizada pela Rádio 9 de Julho.

Caci Amaral

Caci Amaral
Carmem Cecília de Souza Amaral é coordenadora da Pastoral Fé e Política da Arquidiocese de São Paulo, sendo também integrante da Rede Nossa São Paulo e do Movimento de Combate a Corrupção Eleitoral (MCCE/SP). Para falar com Caci Amaral, utilize nosso formulário de contato.